Nome Completo: José Maria Carvalho Pedroto
Data de Nascimento:21/10/28
Naturalidade: Lamego
Ano de estreia: 1966/1967
Outros Clubes Treinados: Académica (62/64) ; Leixões (64/65) ; Varzim (65/66) ; Setúbal (69/74) ; Boavista (74/76) ; Guimarães (80/82)
Épocas no clube: 9
Total de Jogos: 321
Vitórias: 215 (66,9%)
Empates: 58 (18%)
Derrotas: 48 (14,9%)
Golos Marcados: 721 (2,2)
Golos Sofridos: 249 (0,7)
Total de Titulos Conquistados no Clube: 6
Campeonatos Nacionais: 2
Taças de Portugal: 3
Supertaças: 1
| ÉPOCA | TOTAL DE JOGOS | VITÓRIAS | EMPATES | DERROTAS | GOLOS MARCADOS | GOLOS SOFRIDOS | TÍTULOS CONQUISTADOS |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1966/1967 | 38 | 22 | 10 | 6 | 76 | 40 | |
| 1967/1968 | 39 | 26 | 4 | 9 | 95 | 34 | TAÇA DE PORTUGAL |
| 1968/1969 | 30 | 17 | 7 | 6 | 46 | 32 | |
| 1976/1977 | 39 | 25 | 6 | 8 | 109 | 33 | TAÇA DE PORTUGAL |
| 1977/1978 | 44 | 31 | 9 | 4 | 110 | 36 | CAMPEONATO NACIONAL |
| 1978/1979 | 33 | 22 | 8 | 3 | 75 | 29 | CAMPEONATO NACIONAL |
| 1979/1980 | 41 | 30 | 7 | 4 | 75 | 13 | |
| 1982/1983 | 40 | 29 | 7 | 4 | 109 | 26 | |
| 1983/1984 | 17 | 13 | 0 | 4 | 26 | 6 | TAÇA DE PORTUGAL ; SUPERTAÇA |

Carreira
Foi treinador e jogador de futebol. Nasceu no dia 21 de Outubro de 1928 em Almacave, Lamego, Portugal, e faleceu a 7 de Janeiro de 1985. Grande jogador do Futebol Clube do Porto, da equipa que foi campeã nacional com Yustrich em 1955/56 e em 1958/59 com Bella Guttman.

Jogou nos infantis do FC Porto, e no Leixões já em idade de júnior. Pedroto compensava a falta de físico com um enorme talento. O serviço militar levou-o ao Lusitano de VRSA, onde começou a despertar o interesse dos grandes.

Em 1950 transfere-se para o Belenenses. Pedroto cedo se afirmou como um dos melhores médios do futebol Português. Em 1951 estreia-se pela selecção nacional, em Paris. Em 1952 a sua transferência para o FC Porto envolveu verbas recorde para a altura. O FC Porto estava a construir uma grande equipa que viria finalmente a quebrar um jejum de muitos anos. Em 1956, comandada por Dorival Yustrich, a equipa do FC Porto conquista o Campeonato e a Taça de Portugal. Pedroto foi uma das principais figuras da equipa.

Em 1959, Pedroto é novamente campeão nacional. Em 1960, Pedroto torna-se o primeiro treinador Português com curso superior. Foi um treinador com excelentes capacidades técnicas associadas a um discurso agressivo, que viria mais tarde a caracterizar outro José (Mourinho).

Enquanto treinador, continuou a evidenciar-se nos "estudos", obtendo uma brilhante classificação num curso de treinadores efectuado em França. Estes resultados, aliados ao bom trabalho nas camadas jovens do FC Porto, levaram-no ao posto de treinador da selecção nacional de juniores. Com Pedroto ao "leme", Portugal conquista o seu primeiro título Europeu.

Pedroto abandona o futebol jovem do FC Porto para ir treinar a Académica. Forjou grandes talentos nessa época, sendo reconhecido por todos a qualidade do futebol apresentado pela equipa de Coimbra. Depois treinou o Leixões, onde foi vitíma da única chicotada psicológica da sua carreira, traído pela falta de condições oferecidas pelo clube. Treinou depois o Varzim, que estava no seu 2º ano na primeira divisão. O Varzim foi a sensação desse campeonato.

Em 1966 realizou um sonho: tornar-se treinador principal do FC Porto, fica até 1969 e vence uma Taça de Portugal. Depois ruma até Setúbal, altura em que o Vitória obtém alguns dos melhores resultados da sua história, sendo uma vez vice-campeão, uma vez finalista da Taça, e obtendo excelentes prestações nas competições europeias.

Em 1974, mudou-se para o Boavista. Em dois anos obtém o 2º lugar no campeonato e vence 2 Taças de Portugal.
Volta às Antas em 1976 para vencer dois Campeonatos (1977-78 e 1978-79) e uma Taça de Portugal.
Falha o «tri» e sai na confusão do "verão quente". Passa a treinar o Vitória de Guimarães, onde esteve 2 épocas, obtendo um 4º e um 5º lugar. Com ele esteve Artur Jorge.

Pedroto regressa ao FC Porto já com Pinto da Costa como presidente. Nesse período ainda venceu uma Taça de Portugal e foi finalista da Taça das Taças. Pedroto e Pinto da Costa criaram as bases para a série de grandes êxitos que se seguiram e que culminaram com a vitória na Taça dos Campeões Europeus. Ao "leme" estava o seu discípulo Artur Jorge, um dos dois treinadores portugueses campeões europeus de clubes, a par de José Mourinho, em 2003/04, também ao serviço do FC Porto.

José Maria Carvalho Pedroto acabou por falecer na manha do dia 7 de Janeiro do ano de 1985, com 56 anos de idade, sucumbido à doença que o corroía imparavelmente. Durante a madrugada do dia do seu falecimento, já visivelmente debilitado, tentou satisfazer os seus últimos desejos, bebendo whisky por uma colher e tentando fumar o último cigarro.

Mente Brilhante
Aquele boné era um aplique permanente da imagem. A ponta da aba quase colava com os óculos musculados de massa, escurecidos com lentes grossas e sombreadas. Boné e óculos, os dois juntos, quase não deixavam desvendar o olhar pequenino e doce de Pedroto.
Aquele conjunto, boné e óculos, era a protecção mais visível dos dois bens mais preciosos do treinador, a mente brilhante e a visão genial. Pedroto era "muito à frente". E os méritos não se fizeram sentir apenas na função de treinador, tal como a maioria o guarda na memória. Pedroto também foi jogador brilhante e até chegou a ser a contratação mais cara do país quando se transferiu do Belenenses para o F.C.Porto por 500 contos.
No campo ou no banco, a mais-valia de Pedroto era o apurado sentido de estratégia. "Jogava" em todos os planos, com todos os protagonistas, sempre em busca do triunfo. O futebol parecia sina escrita desde o berço. Lá em casa eram 11 irmãos. O pai Alfredo era capitão do Exército e daquela legião familiar. José Maria foi o último a chegar. Esteve indeciso entre a carreira militar e a de futebolista. Optou pela bola mas daria seguramente um estratega militar de alta patente.
No último dia de vida, a 7 de Janeiro de 1985, fez três pedidos - um cálice de Whisky, que só engoliu com o auxílio de uma colher, um cigarro, que não teve forças para fumar, e um sumo de laranja, que também não chegou a beber. Fecharam-se para sempre os olhos pequeninos mas ficou o rasto brilhante da mente que espalhou as sementes de um Porto dono do País, da Europa, e do Mundo.


Títulos Conquistados Noutros Clubes:
Taça de Portugal: 1974/75 ; 1975/76 (Boavista)

O Homem do Banco
José Maria Pedroto deixou para sempre a imagem dum boné e duns óculos escuros num banco de suplentes. E se essa imagem se tornou símbolo de emancipação para um clube e para uma cidade, a sua postura bairrista de treinador fez com que o futebol ganhasse cidadania num país provinciano concentrado nos clubes de Lisboa.
Aconteceu assim no Setúbal, no Boavista, no F.C.Porto. A sua psicologia de líder natural eliminou a distinção de classes entre grandes e pequenos que então vigorava. Ganhava quem fosse mais forte, independentemente das camisolas. A ele se deve a quebra do célebre complexo "da ponte" que levava os portistas a soçobrarem nos estádios do sul.
Foi também com Pedroto que se percebeu que, tanto ou mais que os esquemas tácticos ou o talento individual, era a força mental, aliada a uma boa condição física que potenciava um jogador e fortalecia o colectivo. Sem isso, uma equipa estava condenada a dispersar-se por inconsequentes números de virtuosismo.
Foi assim que levou as equipas portuguesas a olhar, olhos nos olhos, alemães e ingleses, espanhóis e italianos, sem complexos de inferioridade. Pertence-lhe, também, um dos mais famosos aforismos do futebol português e que ainda hoje se aplica: "dois brasileiros numa equipa de futebol é bom, mas três é uma bateria de samba". Haverá por aí quem o possa contradizer?
A cartilha de Pedroto
1 - O verdadeiro calcanhar de Aquiles do nosso futebol reside no simples facto de quase todos pensarmos que, quando saímos dos estádios, já não somos profissionais de futebol
2 - Eu uso óculos, sou míope, mas vejo mais sem eles do que eles com dois pares

3 - Não vai ser preciso nenhum milagre para que o F.C.Porto alcance finalmente o título que ambiciona há anos
4 - Duda é o meu brasileiro. Dois brasileiros juntos são uma escola de samba, três são uma multidão em Copacabana

5 - Temos de lutar contra os roubos de igreja no Estádio da Luz
6 - O futebol é muito fácil. É o pão numa mão e o chicote na outra. A virtude é nunca usar o chicote

7 - As gentes do Porto são ordeiras. Se não fossem, há muitos anos teriam recorrido à violência perante os enganos dos árbitros que têm decidido da perda de muitos campeonatos e taças
8 - O F.C.Porto cada vez mais aparece como potência do nosso futebol, capaz de conseguir a hegemonia e é claro que isto preocupa o Benfica e o Sporting

9 - Passamos de pombinhos provincianos a falcões moralizados
10 - É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes da capital

11 - No F.C.Porto não há contestatários maricas, nem os problemas se levantam, porque nunca chegam a existir
12 - Jorge Nuno Pinto da Costa para além de ser um cidadão respeitável, afirmou-se como um competentíssimo dirigente. A ele se deve, em grande parte, a projecção que o F.C.Porto atingiu, a nível nacional e europeu. O tempo há-de fazer-lhe justiça

13 - Sou defensor do Norte, porque sinto que é vítima de uma injusta discriminação
14 - Se o F.C.Porto for prejudicado até recorreremos à Polícia

15 - Há muitos dirigentes endinheirados que pensam que podem comprar tudo
16 - Não somos realmente os melhores do Mundo, mas no futebol somos uma potência de elevado valor. Assim pudéssemos expressar poderio semelhante noutras modalidades

17 - Os sistemas não se inventam, mas funcionam sempre do meio-campo para a frente em função dos jogadores de que se dispõe
18 - Sou um homem livre e quero que os outros também sejam. Não posso admitir de maneira nenhuma a "lei da rolha"

19 - Os clubes não podem suprimir as liberdades dos jogadores
20 - Só por necessidade deixaria de treinar no meu país, seduzido por pesetas, francos, cruzeiros, ou dólares. Sou um homem simples, de casa, e que sempre se sente nela em qualquer parte do nosso pequeno Portugal

21 - Preciso de ganhar dinheiro e sou das pessoas que lutam para ganhar o máximo no mínimo tempo possível. Mas da minha personalidade é que não abdico




Jogador: José Maria Pedroto
3 Comentários:
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Respondendo à sua pergunta, que não deixa de ser pertinente, a verdade é que efectivamente eu não contabilizei esse jogo da Supertaça contra o Boavista, por na época ser ainda considerada uma prova não oficial, logo esse jogo para todos os efeitos, também não o foi, sendo assim um jogo oficioso. Não deixa no entanto de ser uma questão bem interessante.
Cumprimentos.