Nome Completo: Rui António Cruz Ferreira Nascimento
Data de Nascimento: 22/03/60
Naturalidade: Leiria
Posição: Médio
Ano de estreia: 1989/1990
Outros Clubes Representados: Leiria (79/82) ; Setubal (82/85) ; Guimarães (85/89) ; Tirsense (90/92) ; Amora (92/93)
Internacionalizações A: 5
Épocas no clube: 1
Total de Minutos: 635
Total de Jogos: 14
Jogos Completos: 3
Jogos Incompletos: 11
Golos: 2
Total de Titulos Conquistados no Clube: 1
Campeonatos Nacionais: 1
| ÉPOCA | JOGOS COMPLETOS | JOGOS INCOMPLETOS | TOTAL DE JOGOS | TOTAL DE MINUTOS | MÉDIA DE MINUTOS | GOLOS | TÍTULOS CONQUISTADOS |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1989/1990 | 3 | 11 | 14 | 635 | 15 | 2 | CAMPEONATO NACIONAL |

Carreira
Durante anos, foi um dos indestrutíveis da I Divisão. Regular, forte na marcação, Nascimento era um jogador útil para qualquer treinador que apanhasse pela frente, até por somar a todos esses atributos uma estatura e uma força física invulgares no futebol português do início dos anos 80. E um profissionalismo que, por onde quer que tenha passado, lhe permitiu chegar a capitão de equipa. Sem hipóteses no Benfica, que foi buscá-lo a França, terá atingido o melhor nível nos dois Vitórias, primeiro capitaneando o de Setúbal até ao quinto lugar da Liga, depois terminando uma época em terceiro lugar no de Guimarães. Mas foi no F.C.Porto que, mesmo sendo menos utilizado, alcançou um título nacional, a porta de entrada para o ocaso como jogador e para a transformação em treinador, que o levou a atravessar o Mundo como adjunto de Manuel Cajuda.
Rui António Cruz Ferreira nasceu em Leiria, mas seguiu a família para França quando esta decidiu ir à procura de uma vida melhor. Formado na academia do Sochaux, escolheu um nome diferente: era o Nascimento. A explicação é simples: o pai, o mais velho de cinco irmãos, foi vítima de um erro no registo, em que lhe trocaram a ordem dos apelidos e, mesmo não tendo ficado com o nome de família nos documentos, Rui Ferreira quis prolongá-lo. Foi como Nascimento que, aos 18 anos, foi emprestado ao Saint-Dié des Vosgues, do terceiro escalão francês, o National, que era uma espécie de II Divisão B. Começando a ser falado, pela regularidade e até pelos golos que marcou, foi chamado à selecção nacional de juniores que no Verão de 1979 jogou o Mundial do Japão, marcando até um golo, na vitória portuguesa sobre o Paraguai (1-0). E Peres Bandeira, que era seleccionador e fazia parte da estrutura do futebol do Benfica, recrutou-o para o clube português. Sem oportunidades na Luz, porém, dois meses depois de voltar do Mundial já o jovem Nascimento estava na sua cidade natal, onde o U. Leiria começava a dar os primeiros passos na I Divisão e viu nele capacidade para ajudar.
Nascimento estreou-se na I Divisão a 11 de Novembro de 1979, lançado por Fernando Peres na vez de Cícero ao intervalo de um jogo em casa com o Beira Mar que acabou empatado a uma bola. Era nessa altura visto como médio ofensivo, porque a sua passada larga lhe permitia chegar depressa a posições de finalização. Semanas depois, a 2 de Dezembro, foi pela primeira vez titular. A ocasião era um jogo da Taça de Portugal, em Leiria, contra o Benfica de Castelo Branco, e Nascimento fez o último golo de um retumbante 7-0, já com a equipa reduzida a dez homens por lesão de Barrinha. Até final da época só falhou quatro partidas, fazendo mais dois golos: num 2-0 ao Varzim, a 20 de Janeiro, e num 1-0 ao Estoril, a 18 de Maio, um resultado que ainda deu esperanças de manutenção à equipa do Lis mas que acabou por ser insuficiente para evitar a Liguilha e a consequente descida à II Divisão. Nascimento, porém, voltaria, tal como a U. Leiria. Membro proeminente da equipa que Pedro Gomes conduziu à subida e ao título de campeã nacional da II Divisão logo em 1981, já era titular de pleno direito por alturas do regresso. O ano do regresso, que ficou marcado pela primeira expulsão – Isidro Santos expulsou-o a 12 minutos do fim de um jogo em Braga por protestar a validação do golo que dava vantagem à equipa da casa – e por nova despromoção, desta vez sem margem para dúvidas, pois a U. Leiria foi última classificada. O único golo dessa época fê-lo na Taça de Portugal, numa vitória por 3-1 sobre o Viseu e Benfica.
Manuel de Oliveira, um dos treinadores que passou por Leiria na atribulada época de 1981/82, não deixou que Nascimento caísse de novo na II Divisão, chamando-o para integrar o plantel do Setúbal. E em boa hora o fez, porque Nascimento se tornou um jogador fundamental na equipa que fez duas excelentes épocas, com um sétimo lugar em 1983 e um quinto em 1984. Na primeira época, Nascimento não falhou um único minuto de campeonato – a sua única ausência foi na eliminação-surpresa da Taça de Portugal, frente ao Estrela de Portalegre, em Novembro – e foi, com cinco golos, o segundo melhor marcador da equipa. Na segunda, mesmo sendo por vezes substituído, foi titular em todas as partidas do Setúbal, sendo mesmo o melhor marcador da equipa, com dez golos, entre os quais três bis (duas vezes ao Estoril e uma ao Rio Ave). Nascimento já era, por esta altura, capitão de equipa, condição na qual ficaria mais um ano em Setúbal, antes de rumar a Norte, assinando pelo Guimarães.
Em Guimarães tornou-se igualmente peça fundamental na equipa montada por António Morais, que acabou a época em quarto lugar. Passou a jogar como médio mais recuado, servindo-se do sentido de marcação e da visão de jogo para lançar ataques. Assim se manteve, aliás, em 1986/87, quando à cidade-berço chegou Marinho Peres e o Guimarães andou a discutir o título com os três grandes. O terceiro lugar desse campeonato, a estreia nas provas europeias – a 17 de Setembro de 1986, com um empate a uma bola com o Sparta, em Praga – e a caminhada do Guimarães até aos quartos-de-final da Taça UEFA e ainda a primeira internacionalização A fizeram dessa época a melhor da carreira de Nascimento. A selecção vivia tempos de convulsão, com o auto-afastamento dos jogadores que tinham estado no Mundial do México. Não causou nenhuma estranheza, portanto, que Rui Seabra o tivesse chamado e que ele tivesse sido titular na equipa que ganhou em Braga à Bélgica (1-0), a 4 de Fevereiro de 1987. Jogou pela equipa das quinas mais quatro vezes, todas nesse ano de 1987, mas a sua causa não foi em nada ajudada pela decadência que afretou a equipa do Guimarães depois do Verão de 1987. A conturbada época de 1987/88, com três treinadores, acabou com um penoso 14º lugar, só se salvando a presença na final da Taça de Portugal, perdida por 1-0 frente ao F.C.Porto, a 19 de Junho.
Já feito capitão de equipa, Nascimento não quis, no entanto, renovar o contrato que o ligava ao Guimarães, acabando por assinar pelo F.C.Porto, o que levou o presidente vimaranense a acusá-lo de traição à causa. Aos 29 anos, finalmente, Nascimento regressava a um grande. No FC.Porto, porém, não jogou muito. Fez 13 jogos no campeonato e um na Taça UEFA, marcando um golo em cada competição. Foram dois golos especiais, ainda assim. O primeiro, ao Hamburgo, a 6 de Dezembro, permitiu estabelecer o empate numa partida que os dragões acabaram por ganhar por 2-1 e em que Nascimento lembrou velhos tempos, jogando como falso avançado-centro. O segundo, a 13 de Maio, abriu uma vitória dos dragões em Guimarães (2-0), numa altura em que a equipa já era virtual campeã, tal era a vantagem que tinha sobre o segundo classificado. Mesmo com o título de campeão no bolso, porém, Nascimento não conseguiu segurar-se no plantel portista, começando aí a via descendente. Passou a vestir a camisola do Tirsense, num campeonato no qual foi totalista mas somou quase tantas expulsões (três) como golos (cinco). Despediu-se da I Divisão com um golo, a 26 de Maio de 1991, num empate a duas bolas contra o Penafiel, em Santo Tirso. E como desta vez já ninguém o resgatou após a descida de divisão, seguiu com a equipa jesuíta para o escalão secundário. Aí, no entanto, já foi uma sombra de si mesmo na subida, alinhando em apenas sete partidas. Estava já próximo o final da carreira, também vivido sob o signo da escassa utilização. Só cinco jogos na equipa do Amora que desceu da II Divisão de Honra à II Divisão B em 1993.
Depois das férias, Nascimento já estava a trabalhar como adjunto de Manuel Cajuda na U. Leiria, o mesmo clube que lhe assinalara o início como futebolista. Os dois entenderam-se tão bem que a parceria durou 20 anos, com passagens por vários clubes portugueses e pelos Emirado Árabes Unidos.
Jogador: Nascimento
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